Sabemos naturalmente que tudo o que nos rodeia é mutável e efémero. 
Crescemos a ver coisas aparecerem e desaparecerem. 
Sabemos que mais cedo ou mais tarde algo mais importante na nossa vida também nos vai abandonar. 
O que não sabemos é o quanto nos vai perturbar. 
O que não sabemos é o quanto nos vai marcar. 
O que não sabemos é que vamos, consciente ou inconscientemente, tentar recompor as nossas emoções. 
O que não sabemos é que um dia vamos redescobrir o mundo que perdemos. 
O que não sabemos é o quanto nos vai doer revisitar as memórias e assumir que o que mudou não volta a ser. 
Os lugares despem-se de sentido, ficam frios e vazios. 
Permanecem, mas em silêncio. Permanecem, mas sem emoção. 
A certo ponto, até as memórias se transformam. 
A certo ponto, até as memórias se desvanecem. 
É aí que a fotografia se assume. 
E é ela tudo o que nos resta
.
o que resta | 2010

Técnica: processo analógico com ampliação manual em papel de fibra a preto e branco
Dimensões: 24x30,5 cm

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